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Ushuaia de moto: o guia do Brasil ao fim do mundo

Por Cláudio Royo, especialista em seguros · Registro SUSEP 222142178 Atualizado em julho de 2026
Resposta curta

Do sul do Brasil a Ushuaia são cerca de 4.000 km por trecho — uns 8.000 ida e volta — em 25 a 30 dias confortáveis, entre novembro e março. A rota clássica entra na Argentina por Uruguaiana e desce a costa pela RN-3. A Terra do Fogo obriga dois cruzamentos do Chile, com balsa no estreito de Magalhães — por isso a papelada certa são três seguros: Carta Verde (Argentina/Uruguai/Paraguai), SOAPEX (Chile) e seguro viagem com cobertura de motociclismo para você.

O roteiro em etapas

A espinha da viagem é simples: fronteira em Uruguaiana, RN-14 até o eixo de Buenos Aires, e dali a RN-3 costeira até o fim do continente. O que muda de piloto para piloto é o fôlego diário — a régua abaixo assume 450 a 550 km/dia, que é o ritmo de quem quer chegar inteiro e ainda olhar a paisagem.

EtapaReferência
Porto Alegre → Uruguaiana (fronteira)≈ 630 km
Paso de los Libres → Gualeguaychú (RN-14)≈ 500 km
Gualeguaychú → Bahía Blanca (contorno de BsAs)≈ 850 km · 2 dias
Bahía Blanca → Puerto Madryn (baleias em out–nov)≈ 550 km
Puerto Madryn → Comodoro Rivadavia≈ 450 km
Comodoro → Río Gallegos≈ 770 km · 2 dias
Río Gallegos → balsa do Estreito (Chile)≈ 130 km + travessia
Trecho chileno → San Sebastián (volta à Argentina)≈ 150 km, parte em ripio
San Sebastián → Río Grande → Ushuaia≈ 300 km

Detalhe que muda o humor da chegada: os últimos 100 km antes de Ushuaia atravessam o passo Garibaldi, com serra, floresta e — fora do pico do verão — possibilidade real de pista molhada ou gelada de manhã. Programe esse trecho para o meio do dia.

Os dois cruzamentos do Chile (e o SOAPEX)

A Terra do Fogo é uma ilha repartida entre Argentina e Chile, e não existe caminho 100% argentino até Ushuaia. Você sai da Argentina perto de Río Gallegos, entra no Chile, pega a balsa no estreito de Magalhães (Punta Delgada–Bahía Azul na rota direta), roda o pedaço chileno da ilha e reentra na Argentina em San Sebastián. Na volta, tudo de novo, ao contrário.

Papelada do trecho chileno: a Carta Verde não vale no Chile. Para esses dois trechos você precisa do SOAPEX, o seguro obrigatório chileno para veículo de placa estrangeira — contrate online antes de sair ou nos postos de fronteira, e dimensione a vigência para cobrir ida e volta. Aduana chilena também é rígida com alimentos frescos: fruta, queijo e mel ficam na guarita.

A balsa opera conforme maré e vento; em dia ruim, espera-se. Chegue com combustível e paciência — e conte essa gordura na vigência dos seus seguros.

Vento, combustível e a moto

Vento: é o personagem principal da Patagônia. Rajadas laterais de 80 a 100 km/h são comuns na RN-3, e pioram à tarde. As táticas que funcionam: rodar cedo, baixar o centro de gravidade da bagagem, reduzir a área lateral (nada de mala larga pendurada), e parar sem vergonha quando o corpo cansar de brigar com o guidão — o vento vence por fadiga, não por força.

Combustível: ao sul de Comodoro Rivadavia, trechos com mais de 200 km entre postos são normais, e posto com fila ou sem gasolina numa sexta à noite também. Regra: abasteceu na metade do tanque, sempre. Galão de 5 litros bem preso paga o próprio espaço.

A moto: qualquer moto em bom estado chega — de 160 a 1250, todas já chegaram. O que decide não é cilindrada, é preparação: pneu novo de composto misto, revisão completa, corrente e kit de reparo de furo. Frio é problema de roupa, não de máquina: térmica de base, camadas e luva de inverno de verdade.

Quando ir

Janela de novembro a março. Dezembro e janeiro têm mais luz (18h de dia útil de pilotagem) e mais turista; novembro e março têm estrada mais vazia e frio mais presente. Fora dessa janela, gelo de madrugada no sul e vento ainda pior tornam a viagem imprudente para a maioria — o rolê vira aposta.

A papelada completa, resolvida antes de sair

  1. Carta Verde com vigência do primeiro ao último dia fora do Brasil — para 25–30 dias, o plano de 30 dias (R$ 212) ou, com folga, o de 45. É ela que a aduana argentina confere em Uruguaiana e em cada reentrada.
  2. SOAPEX para os dois trechos chilenos, ida e volta.
  3. Seguro viagem com cobertura de motociclismo — a camada que paga o seu hospital numa queda sem terceiro, que é o acidente típico dessa rota. Confirme a cláusula por escrito e faça uma apólice por pessoa, garupa incluído.
  4. Documentos: CRLV do ano, CNH categoria A válida, RG novo ou passaporte; moto financiada, autorização do banco; moto de terceiro, autorização com firma reconhecida.

Resolva a burocracia em 10 minutos e vá cuidar da moto

Carta Verde a partir de R$ 46, garantida pela Sancor. Peça junto a cotação do seguro viagem com cobertura de motociclismo.

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Custo de referência

Item (30 dias, 1 pessoa)Ordem de grandeza
Combustível (≈ 8.000 km)R$ 3.000–4.500
Hospedagem (mescla de hostel e pousada)R$ 3.000–6.000
AlimentaçãoR$ 2.500–4.000
Balsas, pedágios e taxas de fronteiraR$ 300–600
Carta Verde (30–45 dias)a partir de R$ 212
SOAPEX + seguro viagemvaria por plano

Os números oscilam com o câmbio do peso — trate a tabela como ordem de grandeza para orçar, não como promessa. A parte que não oscila: os seguros são a linha mais barata da planilha e a única que segura todas as outras se algo der errado.

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